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Inovação gera riqueza e mantém a Amazônia de pé

Artigo do presidente do Sebrae, Décio Lima, defende a bioeconomia e a inovação como alternativas para gerar desenvolvimento com inclusão social e sustentabilidade
PorDécio Lima, presidente do Sebrae
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A região Amazônica é conhecida mundialmente por sua vasta biodiversidade, que inclui uma variedade impressionante de flora e fauna, bem como rios, florestas e ecossistemas únicos. Além disso, a Amazônia possui uma relevância vital para o equilíbrio do clima do planeta, uma vez que atua como um dos maiores absorvedores de carbono da atmosfera. Diante de desafios como o desmatamento, mudanças climáticas e pressão econômica sobre seus recursos naturais, o Brasil enfrenta uma grande responsabilidade ao preservar esse ecossistema crítico, ao mesmo tempo em que busca promover o desenvolvimento econômico e social das populações nativas. Nesse contexto, a adoção e o fortalecimento da bioeconomia emergem como uma solução estratégica e sustentável.

A bioeconomia é um conceito que se baseia na utilização responsável e inteligente dos recursos biológicos, de forma a garantir o desenvolvimento econômico e social, ainda assim respeitando os limites do meio ambiente. Esse modelo econômico promove produtos e serviços provenientes da biodiversidade, tais como alimentos, medicamentos, cosméticos, biomateriais e biocombustíveis. A Amazônia, com sua grande diversidade biológica e genética, apresenta um potencial gigantesco para o desenvolvimento dessa nova economia. Desta forma, a equação que praticamos funciona da seguinte forma: as comunidades da Amazônia trabalham em parceria com as startups, produzem bens de consumo, ganham mercado e geram riqueza na região, tendo a responsabilidade de preservar a Floresta, já que esses negócios são gerados a partir da população local.

Essa abordagem incentiva uma relação de cooperação entre as comunidades locais, o meio ambiente, as empresas e pesquisadores, que passam a ser aliados no cuidado com a riqueza natural da região. Assim, este novo modelo de desenvolvimento pode se tornar um catalisador para a inclusão social e o empoderamento das populações nativas. Ao promover atividades econômicas sustentáveis e gerar renda através do uso responsável dos recursos naturais, a bioeconomia pode reduzir as desigualdades sociais e melhorar a qualidade de vida das comunidades tradicionais. Nesse sentido, é essencial que haja uma abordagem inclusiva, que respeite os conhecimentos ancestrais dessas populações e promova o reconhecimento de seus direitos e a sabedoria tradicional associada à biodiversidade amazônica, evitando a exploração indevida.

A bioeconomia na Amazônia também oferece um cenário propício para a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis. Com investimentos no empreendedorismo, o Brasil pode liderar esforços globais para o uso responsável de recursos naturais, desenvolvendo produtos e processos com menor impacto ambiental e que sejam economicamente viáveis. Além disso, a exploração da biodiversidade pode levar à descoberta de novos compostos e substâncias de valor científico e farmacêutico, impulsionando a indústria de biotecnologia e a produção de medicamentos inovadores.

Nesse contexto, o Programa Inova Amazônia, desenvolvido pelo Sebrae, tem se mostrado uma importante alternativa para impulsionar o desenvolvimento justo e sustentável na região. O programa busca capacitar empreendedores e microempresários, oferecendo treinamentos, workshops e suporte técnico para o desenvolvimento de negócios inovadores e sustentáveis. Em sua primeira edição, o programa recebeu mais de 800 inscrições de empresas dos oito estados da Amazônia e ajudou a acelerar 229 negócios inovadores que utilizam insumos da floresta. Foram investidos cerca de 20 mi no Programa, em capacitações, consultorias, acesso ao mercado e bolsas de fomento à inovação. Entre as empresas acompanhadas, 90% desenvolveram novos produtos, 62% aumentaram o faturamento e 56% conseguiram ampliar a equipe. Ainda segundo dados do programa, a iniciativa permitiu que 31% dos participantes iniciassem o processo de internacionalização e 22% passaram a receber novos investimentos.

Os exemplos são os mais diversos, como é o caso da Meu Pé de Árvore, que viabilizou o financiamento de pessoas e empresas parceiras para restauração de áreas degradadas da Amazônia ou a Saboaria Rondônia, startup de indústria de cosméticos idealizada e gerenciada por mulheres rurais. Para o novo ciclo do programa, a atuação será ampliada para nove estados (AC, AM, AP, MA, MT, PA, RO, RR, TO). A inovação e o empreendedorismo caminham juntos. Quando o consumidor compra um produto feito na Amazônia, produzido por uma pequena empresa ou startup da floresta, o ciclo da riqueza será estabelecido. Isso porque o dinheiro pago por aquela inovação, remunera a pequena empresa, que por sua vez remunera a comunidade estruturada em um empreendimento coletivo.

O Sebrae conclama a todos os atores estratégicos da região a abraçarem a causa da bioeconomia. O sucesso do programa representa um passo importante rumo a um futuro mais próspero e equilibrado não apenas para a Amazônia, mas para o país e a preservação da vida no planeta.

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