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Primeira Indicação Geográfica de 2024 é para a Camomila de Mandirituba (PR)

O reconhecimento foi concedido nesta terça-feira (23) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)
PorRedação
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A produção da camomila desidratada em Mandirituba (PR), erva utilizada para acalmar, relaxar e induzir ao sono, teve o seu reconhecimento como Indicação Geográfica (IG) concedido nesta terça-feira (23). Este foi o primeiro registro garantido em 2024 pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Reconhecida na modalidade de Indicação de Procedência, a produção na região se junta a outras 110 Indicações Geográficas de todo o país.

De acordo com informações do Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná, Mandirituba – na região metropolitana de Curitiba (PR) – é responsável por cerca de 30% de toda a camomila produzida no estado, com mais de 300 toneladas anuais, o que gera um faturamento de cerca de R$ 5 milhões para os produtores. Ao todo, cerca de 50 famílias produzem camomila na cidade, em uma área total de 875 hectares. A planta foi trazida há cerca de 40 anos para o município por imigrantes europeus, principalmente da região da Polônia e Ucrânia.

“O reconhecimento da camomila de Mandirituba sinaliza a possibilidade de se avançar num segmento de produtos com grande potencial no Brasil. As ervas, com larga aplicação na indústria alimentícia e de cosméticos, permitem a disseminação das Indicações Geográficas (IGs) com os seus diferenciais de qualidade em negócios B2B (entre empresas)”, apontou a analista de inovação do Sebrae Hulda Giesbrecht.

Além de movimentar a economia, os campos floridos de camomila também são palco de caminhadas e incentivam o turismo. Foto: Inove.Nos últimos anos o cultivo manual deu lugar às máquinas, desde a semeadura até a secagem, sem prejuízo à tradição e o saber-fazer dos agricultores. Um diferencial da erva cultivada são as condições de solo e clima do município. Atualmente, uma camomila com bom teor de óleo essencial precisa superar a concentração de 0,4%. A camomila de Mandirituba, por sua vez, possui em torno de 0,7%. Além disso, o cultivo da planta impulsiona o turismo e a economia no município, especialmente no período de agosto e setembro, quando os visitantes podem passear ao redor da plantação.

O presidente da Associação dos Produtores de Camomila de Mandirituba (Camandi), Jose Edinei Klichevicz, está empolgado com o reconhecimento, que possibilitará acesso a novos mercados. “Se inicia uma nova história da camomila em nível de Brasil e do mundo”, afirmou. “São novas portas que estão sendo abertas, pois vamos entregar além da qualidade, a nossa comprovação do manejo que realizamos aqui. Com certeza, as empresas vão buscar esse produto diferenciado e certificado”, completou o agricultor.

Jose Edinei ressaltou ainda o apoio que teve do Sebrae na conquista. “Foi a chave principal, pois, junto à prefeitura de Mandirituba, enxergou a possibilidade da Indicação Geográfica e o potencial da região. Conseguimos ter uma visão ampla, identificar mais oportunidades e meios para alavancar nossa produção”, destacou.

A partir de agora, o Paraná tem 14 Indicações Geográficas reconhecidas pelo INPI. São elas: a cachaça de Morretes, o melado de Capanema, mel de abelha de Ortigueira, cafés especiais do Norte Pioneiro, morango do Norte Pioneiro, vinho de Bituruna, goiaba de Carlópolis, mel do Oeste, barreado do Litoral, queijo da Colônia Witmarsom, bala de banana de Antonina, erva-mate de São Matheus e as uvas de Marialva.

Outros produtos estão em busca do registro: as Broas de Centeio de Curityba, Mel de Prudentópolis, Urucum de Paranacity, Queijos do Sudoeste do Paraná, Cracóvia de Prudentópolis, Carne de Onça de Curitiba, Café de Mandaguari, Ponkan de Cerro Azul e Ovinos e Caprinos da Cantuquiriguaçu.

IndicaçõesGeográficas

As Indicações Geográficas (IG) são ferramentas coletivas de valorização de produtos tradicionais vinculados a determinados territórios. Elas possuem duas funções principais: agregar valor ao produto e proteger a região produtora.

O sistema de Indicações Geográficas promove os produtos e sua herança histórico-cultural, que é intransferível. Esse legado abrange vários aspectos relevantes: área de produção definida, tipicidade, autenticidade com que os produtos são desenvolvidos e a disciplina quanto ao método de produção, garantindo um padrão de qualidade. Tudo isso confere uma notoriedade exclusiva aos produtores da área delimitada.

Prefeito de Mandirituba, Luis Antonio Biscaia, e o presidente da Camandi, Jose Edinei Klichevicz durante exposição da camomila na Expoapras 2023, em Pinhais. Foto: Prefeitura de Mandirituba.
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